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Velho Chico, apelido que o Rio São Francisco ganhou da população
ribeirinha, vem de Minas Gerais, cruza a Bahia, margeia Pernambuco e
quando chega ao Estado de Alagoas depara-se com uma preciosidade
- única no Brasil -, escondida na Ilha do Ferro. Que não é uma ilha, e sim um pequeno distrito da cidade de Pão de Açúcar, situada na margem esquerda do rio. O tesouro chama-se boa-noite, um tipo de renda bordada que desapareceu no resto do país, mas que lá sobreviveu a duras penas.
Hoje, graças à atuação de órgãos do governo federal, o artesanato renasceu e é responsável pelo sustento de várias famílias. A técnica consiste em desfiar criteriosamente um pedaço de tecido para depois bordar sobre a trama aberta. O que torna o boa-noite especial é o desenho de uma pequena flor, sempre do mesmo tamanho, que se repete em linhas geométricas nos barrados de muitas peças de enxoval. O caprichado acabamento da linha sobre o pano (seda, algodão ou linho) é recheado de minúcias e delicadeza e tornou-se outra marca das rendas da Ilha do Ferro. Pura curiosidade: o nome, boa-noite, é o mesmo de uma flor, comum no Nordeste, que inspirou o desenho do bordado.
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